Doenças articulares e dor crónica: reconhecer os sinais para preservar a qualidade de vida

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A dificuldade em levantar-se, a diminuição da vontade de brincar ou a relutância em subir escadas podem parecer mudanças naturais com o passar dos anos. No entanto, em cães e gatos, estas alterações podem estar associadas a dor crónica e não devem ser desvalorizadas.

A osteoartrite é uma doença articular degenerativa que pode comprometer progressivamente a mobilidade e o conforto dos animais. Embora seja mais frequente em animais idosos, também pode surgir em animais mais jovens, nomeadamente quando existem fatores predisponentes, como determinadas conformações, alterações articulares ou antecedentes de lesões.

Quando a mobilidade muda, é importante observar

Os sinais de doença articular nem sempre são evidentes. Nos cães, podem manifestar-se através de rigidez muscular após períodos de repouso, dificuldade em levantar-se, menor tolerância ao exercício ou alterações na marcha.

Nos gatos, as mudanças podem ser ainda mais subtis. Saltar menos, deixar de aceder a locais habituais, reduzir a atividade ou apresentar alterações nos comportamentos de higiene podem ser sinais de desconforto.

Por serem alterações graduais, é comum que estes comportamentos sejam atribuídos à idade ou a uma diminuição natural da atividade. A observação dos tutores é, por isso, importante para identificar mudanças e partilhá-las com o médico veterinário.

Frio e humidade: atenção às alterações sazonais

Durante o outono e o inverno, alguns tutores referem notar maior rigidez ou desconforto nos seus animais. Embora a relação entre as condições meteorológicas e a intensidade da dor não seja igual em todos os pacientes, estas alterações podem ser uma oportunidade para observar com maior atenção a mobilidade e o comportamento.

Uma mudança persistente na forma como o animal caminha, brinca, se levanta ou realiza as suas atividades habituais deve ser avaliada por um médico veterinário. A idade, por si só, não explica necessariamente estes sinais, nem significa que a dor tenha de fazer parte do envelhecimento.

O controlo da dor exige uma abordagem individualizada

A gestão da osteoartrite não passa por uma única medida. A abordagem deve considerar a condição clínica, a intensidade da dor, a mobilidade, a idade, o peso e as características de cada paciente.

O controlo da dor pode envolver terapêutica farmacológica prescrita pelo médico veterinário, acompanhamento regular e medidas complementares, como exercício adaptado, controlo do peso e alterações no ambiente. Superfícies antiderrapantes, camas confortáveis e rampas ou degraus podem facilitar os movimentos e reduzir a necessidade de saltos, sobretudo em animais com mobilidade limitada. Designamos de tratamento multimodal. 

A reavaliação é igualmente importante. A resposta às medidas implementadas deve ser acompanhada ao longo do tempo, permitindo ajustar a abordagem às necessidades do animal e aos objetivos definidos para o seu conforto e funcionalidade.

Nutrição e condroprotetores: que papel podem ter?

A nutrição integra a abordagem global à saúde articular. A manutenção de uma condição corporal adequada é particularmente relevante, uma vez que o excesso de peso pode aumentar a carga sobre as articulações e dificultar a mobilidade.

Consoante o paciente e a avaliação clínica, o médico veterinário poderá também considerar dietas específicas ou suplementos nutricionais, incluindo produtos com ingredientes utilizados no apoio à saúde articular, frequentemente designados por condroprotetores.

A escolha deve ser criteriosa: a evidência científica varia entre ingredientes e produtos, pelo que estes não devem ser encarados como substitutos do diagnóstico, do controlo da dor ou de um plano terapêutico adequado. A sua utilização deve ser ponderada no contexto das necessidades individuais de cada animal.

Preservar a mobilidade é cuidar da qualidade de vida

As doenças articulares podem ter um impacto significativo nas rotinas dos cães e gatos, condicionando a atividade, o descanso e a interação com o ambiente. Reconhecer precocemente as alterações de comportamento e mobilidade permite investigar a sua origem e definir estratégias de acompanhamento mais adequadas.

Perante sinais persistentes de rigidez, dificuldade de movimento ou redução da atividade, a avaliação veterinária é fundamental. Uma abordagem individualizada, com controlo da dor e acompanhamento contínuo, pode contribuir para preservar o conforto e a qualidade de vida ao longo do tempo.

Na saúde articular, observar os sinais e agir atempadamente faz a diferença.