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A atividade de pulgas, carraças e flebótomos já não se limita aos períodos tradicionalmente considerados de maior risco. As alterações climáticas e a adaptação destes vetores a diferentes condições ambientais têm vindo a prolongar os períodos de exposição, aumentando o risco de transmissão de doenças vetoriais em animais de companhia.
Neste contexto, patologias como a leishmaniose, a babesiose e a erliquiose continuam a assumir elevada relevância clínica, exigindo uma abordagem preventiva contínua e ajustada ao contexto epidemiológico de cada animal.
Leishmaniose: uma doença de progressão silenciosa
Transmitida através da picada de flebótomos infetados, a leishmaniose canina mantém-se como uma das doenças vetoriais mais relevantes em Portugal. As manifestações clínicas são variáveis e incluem frequentemente perda de peso, alterações cutâneas, linfadenomegália, alterações oculares e compromisso renal.
A sua evolução é frequentemente lenta e progressiva, podendo permanecer subclínica durante longos períodos. Em muitos casos, o diagnóstico surge apenas numa fase mais avançada da doença, o que reforça a importância da prevenção e monitorização contínuas.
Babesiose e erliquiose: impacto clínico e evolução aguda
Associadas principalmente à transmissão por carraças, a babesiose e a erliquiose continuam a representar um desafio importante na prática clínica, sobretudo em animais com maior exposição ambiental.
A babesiose caracteriza-se pela infeção dos glóbulos vermelhos, podendo originar febre, anemia, letargia e alterações sistémicas relevantes. Já a erliquiose afeta predominantemente as células do sistema imunitário e está frequentemente associada a trombocitopenia, alterações hemorrágicas, anorexia e prostração.
A apresentação clínica destas patologias pode variar significativamente, exigindo elevada suspeição clínica, sobretudo em zonas endémicas ou em animais com historial de exposição a vetores.
A importância da prevenção contínua
A crescente mobilidade animal, associada às alterações ambientais e à expansão geográfica de alguns vetores, tem vindo a aumentar o risco epidemiológico destas doenças, reforçando a importância de protocolos regulares de controlo antiparasitário ajustados ao estilo de vida, localização geográfica e grau de exposição de cada animal.
A falsa perceção de sazonalidade continua, contudo, a representar um dos principais obstáculos à adesão consistente às medidas preventivas. Atualmente, a atividade de pulgas, carraças e flebótomos pode prolongar-se durante grande parte do ano, tornando insuficiente uma abordagem limitada aos meses tradicionalmente associados ao verão.
A sensibilização dos tutores e o acompanhamento veterinário regular são, por isso, determinantes para garantir estratégias preventivas sustentadas e adequadas à realidade epidemiológica atual.
A integração entre monitorização clínica, avaliação do risco e prevenção contínua constitui hoje uma das bases fundamentais da medicina preventiva em animais de companhia, contribuindo para reduzir o impacto das doenças transmitidas por vetores na saúde e bem-estar do animal.