Doenças gastrointestinais no verão: porque aumentam nesta altura do ano?

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Diarreia, vómitos ou desconforto digestivo estão entre os motivos mais frequentes de consulta nesta época, não apenas devido ao calor, mas pela combinação de vários fatores que alteram o equilíbrio do sistema digestivo.

Perceber a origem destes episódios é o primeiro passo para os prevenir.

O problema raramente é apenas o calor

Ao contrário do que muitas vezes se pensa, as temperaturas elevadas não são, por si só, a principal causa das alterações gastrointestinais.

Durante o verão acumulam-se várias situações que aumentam o risco de distúrbios digestivos:

  • alterações na alimentação durante férias ou viagens;
  • ingestão de restos de comida ou alimentos impróprios durante passeios;
  • conservação inadequada de alimentos húmidos ou rações após abertura;
  • maior contacto com água ou ambientes potencialmente contaminados;
  • alterações de rotina que podem provocar stress e influenciar o funcionamento intestinal.

Em muitos animais, é precisamente a combinação destes fatores que desencadeia os primeiros sinais clínicos.

Quando o equilíbrio intestinal é comprometido

O aparelho digestivo depende de um equilíbrio complexo entre digestão, microbiota intestinal e sistema imunitário.

Sempre que este equilíbrio é alterado, podem surgir episódios de diarreia, vómitos, diminuição do apetite ou desconforto abdominal.

Embora alguns casos sejam ligeiros e transitórios, sinais persistentes ou acompanhados de prostração, febre ou desidratação exigem avaliação médico-veterinária, uma vez que podem estar associados a situações clínicas mais graves.

O papel da nutrição durante a recuperação

Após um episódio gastrointestinal, a alimentação desempenha um papel importante na recuperação da função digestiva.

Dietas gastrointestinais formuladas com ingredientes de elevada digestibilidade ajudam a reduzir a carga sobre o trato digestivo e favorecem uma recuperação mais gradual.

Em determinadas situações, a utilização de probióticos pode também contribuir para o restabelecimento da microbiota intestinal, promovendo um ambiente intestinal mais equilibrado.

A escolha da estratégia nutricional deve ser sempre adaptada às necessidades de cada animal e enquadrada pelo médico-veterinário.

A hidratação não deve ser esquecida

A perda de líquidos associada à diarreia ou aos vómitos aumenta significativamente o risco de desidratação, sobretudo durante os meses mais quentes.

Garantir acesso permanente a água fresca e incentivar a ingestão hídrica são medidas fundamentais, particularmente em animais jovens, geriátricos ou com doenças pré-existentes.

Uma hidratação adequada constitui um dos pilares mais importantes da recuperação clínica.

Prevenir continua a ser a melhor estratégia

Grande parte dos episódios gastrointestinais associados ao verão pode ser evitada através de medidas simples: manter uma alimentação consistente, conservar corretamente os alimentos, evitar o acesso a restos alimentares e acompanhar precocemente qualquer alteração do estado digestivo.

Numa altura do ano marcada por mudanças de rotina e maior exposição a fatores de risco, a prevenção, a monitorização e uma abordagem nutricional adequada continuam a ser fundamentais para proteger a saúde digestiva dos animais de companhia.